Aprendizagem Infantil – Descobertas científicas e novas formas de aprendizgem

Descobertas científicas ajudam na estruturação de novas formas de aprendizagem infantil.

A rigor, a vida de uma pessoa saudável é uma sequência constante do ato de aprender. A propósito, a Ciência já nos permitiu comprovar que começamos a exercitar nossa capacidade de aprendizagem ainda no ventre materno. Isso acontece (e acontece mesmo!) porque é o nosso cérebro o reitor, o supremo regente, de todas nossas ações, sejam elas conscientes ou inconscientes.

Todavia, esse fabuloso conhecimento (a respeito do funcionamento do nosso cérebro) – por sinal, conhecimento adquirido pela humanidade há apenas algumas décadas, não está ao alcance da maior parte da população mundial. Ao menos por enquanto.

A explicação para essa realidade é simples e decorre, principalmente, de dois fatos:

  1. O primeiro, porque o conhecimento científico em relação às incríveis propriedades do cérebro humano está apenas no começo;
  2. O segundo, porque no instante em que escrevo este artigo, a população mundial está próxima da casa de SETE BILHÕES de pessoas, mas os cálculos mais otimistas indicam que menos, muito menos, que UM DÉCIMO POR CENTO (portanto, algo abaixo de 7 milhões de pessoas!) têm conhecimento razoável a respeito de como funciona o cérebro humano.

Vale dizer: além do seleto núcleo de cientistas responsáveis pelo desbravamento da seara cerebral, só uma pequena parcela da população mundial sabe, de forma concreta e racional, alguma coisa a respeito disso.

Para ser objetivo: em que pese todo o fantástico desenvolvimento do conhecimento humano, quando se trata do nosso cérebro, mais de noventa e nove por cento das pessoas, em todo o mundo, sabem quase nada sobre essa questão.

Mas o que isso tem a ver com o título deste artigo? Tudo a ver!

Com as descobertas científicas verificadas nos últimos trinta anos, está em curso uma verdadeira revolução quanto ao uso da nossa capacidade cerebral. E, com toda a certeza, essa revolução, tão silenciosa quanto pacífica, vai ditar novos rumos para o desenvolvimento de boa parte do comportamento humano. A começar pela aprendizagem infantil.

Mediante a utilização de equipamentos de última geração, cientistas de vários países em todos os continentes mapearam o cérebro humano de tal forma que hoje é possível saber (com certeza quase absoluta!) em que parte do cérebro está a área especifica para cada comportamento humano. Além disso, com o auxílio de exames como o de ressonância magnética funcional (RMF), a saúde dessas áreas é vasculhada em questão de minutos, o que possibilita diagnósticos precisos.

Assim, desde que não haja lesão irreparável (o que só um profissional médico pode definir e dimensionar!), essas áreas podem ser estimuladas de forma a desenvolver no indivíduo, mesmo que ele seja uma criança, a melhora das suas habilidades, tais como a de ler, a de falar, a de ouvir, a de escrever, a de desenhar, de andar, de processar informações, de assimilar ensinamentos e, por consequência, estruturar e acumular conhecimentos.

A título de exemplo, cito o caso do Hospital Sofia Feldman, em Belo Horizonte, o qual desenvolveu interessante parceria com a Escola de Música da Universidade Federal de Minas Gerais – UFMG – com o intuito de promover o desenvolvimento sensorial de bebês prematuros. Após dois anos de aplicação dessa prática, os resultados são espetaculares e confirmam plenamente os relatos da literatura científica mundial.

A música (de boa qualidade e em tom bem baixo!) reduz a frequência dos ciclos cerebrais, ou, em outras palavras, das ondas cerebrais. Assim, os hemisférios cerebrais trabalham de forma sincronizada e isso resulta no máximo aproveitamento da nossa vitalidade. A música não cura (como já se chegou a acreditar!), mas potencializa o efeito dos remédios, o que explica o menor tempo de recuperação de pacientes hospitalizados, como o caso dos bebês prematuros do Hospital Sofia Feldman e de muitos outros, mundo afora.

A música, se bem utilizada, ajuda a reduzir o tempo de internação dos prematuros, mas, também, pode ajudar (e muito!) a tornar crianças mais calmas, mais atenciosas, mais perceptivas da realidade do meio ambiente e, por consequência, da aprendizagem de uma forma geral.

Se você tiver alguma dúvida a respeito, experimente colocar uma seleção musical (solos de violino, harpa, violão, piano, etc.), por, pelo menos duas horas, durante o sono (diurno ou noturno, não importa!) de uma criança agitada e nervosa. Faça isso durante três ou quatro dias e observe as mudanças.

Faça essa experiência e tenha em mente que a música ajuda a estimular apenas poucas áreas do cérebro. As demais formas de estimulação, fundamentais para o desenvolvimento da aprendizagem infantil, trataremos em outras oportunidades.

Enquanto isso, pense sobre o que leu aqui e, se possível, faça abaixo o seu comentário, inclusive para apresentar possíveis dúvidas a respeito. Terei muita satisfação em responder o seu questionamento.

Sobre Antônio Carlos

Antônio Carlos Nantes de Oliveira é especialista em comportamento infantil.

Autor do livro “Manual da Mudança Comportamental Passiva” e fundador do site Eduque Seu Filho. Já ajudou centenas de pais e mães a superarem os desafios de se educar e criar seus filhos, em mais de 38 anos de atuação na área comportamental.

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