Como lidar com a timidez do seu filho?

Você já foi a uma festa de aniversário e ficou encantada (o) com o filho da sua amiga por ele ser totalmente desinibido? Ou com a filha da sua prima por ela adorar conversar com os adultos? É muito comum vermos as pessoas terem como ideal aquela criança comunicativa e que não tem vergonha de se relacionar com o próximo, mas a timidez em uma criança não é algo que deve ser encarado como um bicho de sete cabeças.

Cada criança possui uma personalidade e essa personalidade deve ser respeitada. Primeiramente você precisa entender que a timidez é um comportamento totalmente normal e não uma doença, pois é uma característica específica de cada um. No entanto, timidez em excesso pode afetar a criança em diferentes fatores, como no desempenho escolar, no relacionamento com colegas, problemas de autoestima e fobia social (até com pessoas da família). Neste caso, podemos considerá-la um problema.

No artigo de hoje você vai entender:

- Quando a timidez pode se manifestar
- Quais são os sinais da timidez crônica
- A influência dos pais
- Como lidar com a timidez do seu filho no dia a dia

Quando a timidez pode se manifestar

Uma criança tímida é aquela que não consegue manifestar o que pensa e sente ou que faz isso com pouca frequência. Isso acontece, principalmente, porque ela teme não ter aprovação dos outros, ou seja, essa criança se preocupa demais com o que os outros vão pensar e/ou reagir às suas ideias. Normalmente, existe um desconforto e inibição em situações de interação pessoal, até com pessoas mais próximas.

A timidez começa a se desenvolver em uma criança a partir do momento que ela começa a entender o que é certo e o que é errado – por volta dos 2 anos de idade. Ao se perceber como um ser independente, a criança passa a evitar aquilo que gera críticas, consequentemente surge a timidez, em que a criança prefere não entrar em certas situações para não correr o risco de errar ou ser criticada.

Alguns estudos apontam que três fatores levam uma criança a ser tímida: a genética, passada pelos familiares de forma biológica, a personalidade, característica da própria pessoa (ninguém é igual a ninguém) e o ambiente, que se refere às oportunidades que os pais dão para se expressar. Além disso, broncas em excesso também podem ocasionar a timidez exagerada na criança.

Quais são os sinais da timidez crônica

Existem dois tipos de timidez: a situacional e a crônica. A situacional é algo comum, que afeta não só crianças, mas muitos adultos. É aquela que ocorre em situações muito específicas, como dificuldade de falar em público, por exemplo. Já a timidez crônica é constante e envolve quase todas as situações do dia a dia.

A situacional é considerada normal (ninguém é obrigado a ser totalmente sociável em tudo e/ou em qualquer situação), mas a crônica atrapalha a vida da criança em diversas formas. A timidez crônica apresenta alguns sintomas físicos e emocionais que são facilmente percebidos:

FÍSICOS

– Gaguejar;
– Rubor na face;
– Baixo volume de voz;
– Pouco contato visual;
– Pouca expressão corporal.

EMOCIONAIS

– Quando a criança começa a se isolar;
– Quando a criança não gosta de brincar;
– Quando a criança não consegue ficar longe dos pais;
– Não gosta de falar (mesmo que esteja certo ou que seja para alguma necessidade, como pedir para ir ao banheiro na escola, por exemplo).

DICA IMPORTANTE: É comum que crianças pequenas queiram se esconder atrás dos pais ou fiquem com medo quando se deparam com algum desconhecido. Esse tipo de comportamento não pode ser considerado timidez. Esse comportamento é uma forma que qualquer criança encontra para se proteger, o que é muito natural.

A influência dos pais

É muito importante que os pais estejam atentos ao comportamento dos filhos. Mesmo que a timidez não seja uma doença, quando ela causa incapacidade de interação com outras pessoas, esse comportamento se torna um problema, podendo afetar no desenvolvimento social da criança e, consequentemente, na sua vida adulta.

Como os pais são referências para seus filhos, principalmente quando eles ainda são pequenos, é essencial que o pai e a mãe sejam modelos de comunicação, ou seja, criem situações para que os filhos possam interagir com outras crianças, mas claro, sem forçar. Não adianta querer que seu filho ou filha brinque com outras crianças contra a vontade dele ou pressioná-lo emocionalmente (como chama-lo de bobo por não querer brincar), pois esse tipo de atitude são inúteis e podem agravar o problema.

É indicado que a criança vá ganhando confiança gradativamente. Dessa forma, ela vai querer, por conta própria, participar das atividades com outras crianças. Nesse sentido, os pais podem ajudar aproximando seu filho de outras crianças com características e gostos semelhantes.

DICA IMPORTANTE: Desde pequeno, coloque seu filho em contato com outras crianças. Deixe-o passear na casa de familiares e amigos da escola, leve-o para fazer programas de lazer (cinema, teatro, brincar no parque). Desta forma, você estará evitando que seu filho desenvolva uma timidez crônica. Em muitos casos, a culpa é da própria mãe ou do pai, que por insegurança não conseguem deixar a criança com mais ninguém, nem mesmo com familiares próximos. Filhos de pais superprotetores têm mais tendência de serem mais tímidos.

Como lidar com a timidez do seu filho no dia a dia

– Estimule seu filho a ajudar o próximo, vários especialistas afirmam que esta é uma ótima forma de estimular o convívio social e vencer a timidez;

– Evite comparar seu filho com os outros, principalmente com os irmãos;

– Mantenha um diálogo frequente no dia a dia, pois a conversa entre pais e filhos aumenta a segurança da criança nela mesma.

– Bole brincadeiras para que seu filho se sinta a vontade em convidar os amigos para visitar sua casa. Desta forma, ele também ficará a vontade para visitar a casa dos colegas;

– Incentive seu filho, naturalmente, a cumprimentar as pessoas;

– Deixe que ele faça suas escolhas. No supermercado, por exemplo, deixa que ele conduza as compras. Ou no restaurante, deixe que ele faça o pedido para a família. Em caso de dificuldade, ajude a criança, mas deixe que ela fique no comando;

– Organize encontros com a família;

– Faça com que ele lhe conte histórias ou situações do dia a dia. E demonstre interesse por elas;

– Nunca deboche da criança em uma tentativa malsucedida, pelo contrário, elogie seu esforço em realizar alguma tarefa.

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Sobre Antônio Carlos

Antônio Carlos Nantes de Oliveira é especialista em comportamento infantil.

Autor do livro “Manual da Mudança Comportamental Passiva” e fundador do site Eduque Seu Filho. Já ajudou centenas de pais e mães a superarem os desafios de se educar e criar seus filhos, em mais de 38 anos de atuação na área comportamental.

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