Qual a importância de brincar?

Sabemos que com a modernidade, muitos pais subestimam o valor de brincadeiras simples no desenvolvimento da criança. É cada vez mais comum vermos crianças muito pequenas com uma rotina bastante atribulada: inglês, espanhol, natação, judô, etc. Às vezes uma criança possui tantas atividades no seu dia a dia que não sobra tempo para, simplesmente, brincar.

No post de hoje você vai descobrir:

– A importância de reservar um tempinho para o lazer na vida do seu filho;
– Como a brincadeira faz parte do desenvolvimento infantil;
– Quando estimular seu filho a atividades recreativas;
– Quais as brincadeiras ideais para cada faixa etária.

Qual a importância do lazer na vida do seu filho?

Você sabia que desde a década de 50 existe um documento, batizado de Declaração Universal dos Direitos da Criança e aprovado por unanimidade pela Assembléia Geral das Nações Unidas, onde estabelece que toda criança tem direito ao lazer infantil? A importância de brincar é reconhecida em todo o mundo e você, pai ou mãe, não deve subestimar.

Para um adulto, brincar pode ser algo relacionado à fantasia, um desejo bobo de uma criança, mas a verdade é que as brincadeiras estão relacionadas a um processo permanente de descobertas, onde se cria possibilidades de construir e conhecer novas experiências. Ou seja, a criança que brinca é muito mais esperta, mais interessada e possui muito mais facilidade em aprender.

Na verdade, essa atividade aparentemente simples e que muitos adultos normalmente não dão muita importância é capaz de ajudar a criança a desenvolver muitas de suas habilidades motoras e cognitivas, como atenção e criatividade. Autores clássicos da psicanálise, como Freud (1908) e Melanie Klein (1932, 1955), ressaltam a importância do brincar como um meio de expressão da criança, contexto no qual ela elabora seus conflitos e demonstra seus sentimentos, ansiedades desejos e fantasias.

Como a brincadeira ajuda no desenvolvimento infantil?

A brincadeira ocupa um espaço especial na vida de uma criança. É um momento onde ela lida com emoções variadas e antagônicas como coragem e medo e alegria e tristeza. Além de ajudar no mundo interior da criança, também influencia no universo exterior, pois ao brincar a criança pequena aprende a superar os obstáculos da vida real que se apresentam de maneira intensa durante seu crescimento. Ou seja, seja intelectualmente ou socialmente, brincar é uma ótima oportunidade para as crianças.

Também é importante ressaltar que, através da brincadeira, seu filho poderá trabalhar sua autonomia de ação, além de conhecer o mundo de forma diferente; aprender regras e testar habilidades físicas, como pular, correr, dançar.

Brincar com outras crianças também deve ser parte da rotina do seu filho. É assim que ela vai aprender a compartilhar, obedecer às regras e cooperar com o próximo. E o mais importante: aprender a ganhar e perder. Na prática, os benefícios são muitos.

Quando estimular seu filho a brincar?

Não há dúvida: é importante estimular seu filho a brincar desde os primeiros meses. Tente colocá-lo no chão e mostre como manipular objetos; ajude a repetir sons ou simplesmente brincadeiras aparentemente simples, como esconder seu rosto atrás da fralda. O primeiro tipo de brincadeira que um pai ou mãe pode fazer com seu bebê é a de imitação. Faça o teste. Será visível o divertimento e satisfação.

DICA: É muito importante ressaltar, que brincar deve ser algo natural e não forçado. Ou seja, não adianta querer que a criança brinque para aprender algo ou que você espere que ela aprenda algo por meio da brincadeira. Criança brinca porque sente vontade. Porque é divertido.

Quais as brincadeiras ideais para cada faixa etária?

Toda criança gosta e precisa brincar, mas cada qual com a atividade certa para sua idade. Crianças pequenas, por exemplo, costumam brincar sozinhas. Por isso, é importante realizar brincadeiras que estimulem os sentidos, pois é através deles que elas descobrem cores, texturas, sons, cheiros e gostos. Já por volta dos 3 anos, imitar situações cotidianas, como brincar de casinha, por exemplo, permite que elas encarem problemas e soluções reais. A partir dos 5 anos, é a fase em que elas costumam brincar com outras crianças. Entretanto, saiba que desenvolvimento infantil é individual, sendo assim, essas “regras” podem mudar conforme cada criança.

Veja abaixo algumas opções:

- Até os 2 anos: É importante estimular os sentidos. São atividades recomendadas: Correr, puxar carrinhos, escalar objetos, brincar com ursinhos de pelúcia.

- 3 a 4 anos: Começam as brincadeiras que imitam a vida real. São atividades recomendadas: brincadeiras de casinha, de trânsito, de escolinha e de outras atividades cotidianas.

- 5 a 6 anos: Começam as brincadeiras com outras crianças. São atividades recomendadas: jogos coletivos, jogos de tabuleiro, futebol, brincadeiras de roda.

- 7 anos acima: A partir daqui as crianças estão aptas a se divertir brincadeiras com graus de dificuldade maiores. São atividades recomendadas: quebra-cabeça, jogo de memória, etc.

Sobre Antônio Carlos

Antônio Carlos Nantes de Oliveira é especialista em comportamento infantil.

Autor do livro “Manual da Mudança Comportamental Passiva” e fundador do site Eduque Seu Filho. Já ajudou centenas de pais e mães a superarem os desafios de se educar e criar seus filhos, em mais de 38 anos de atuação na área comportamental.

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