Superproteção dos pais: bom ou ruim?

Você sabia que a superproteção não faz bem para o desenvolvimento do seu filho? Pode parecer difícil deixar a criança se descobrir sozinha, mas o hábito de estar sempre em cima dela pode atrapalhar no processo da maturidade, no relacionamento com outras crianças e adultos, na perda de personalidade e na dificuldade em enfrentar certas situações, ou seja, a criança ficará dependendo totalmente de você.

No post de hoje você vai ver:

Quando os pais passam dos limites?
Como identificar um pai ou mãe com superproteção excessiva
Quais os malefícios da superproteção para a criança
Dicas finais para os pais

Quando os pais passam dos limites?

Quando eu falo em superproteção excessiva não quero dizer que os pais não devem proteger os seus filhos. Na verdade, é função dos pais, sim, proteger as crianças em algumas situações. O que eu quero dizer é que seu filho precisa de carinho, atenção, afeto e não superproteção excessiva.

Por exemplo: Se seu filho está na fase de engatinhar e você percebe que o chão está sujo, não é errado que você não queira coloca-lo no chão. Ali está um perigo iminente: sujeira pode transmitir doenças e é obrigação dos pais proteger seus filhos, principalmente os bebês.

Agora, se você está em um ambiente fora de casa (casa da avó, de uma amiga ou de um parente qualquer) e não quer deixar seu filho ir para o chão com medo dele se machucar, por não conhecer o ambiente, isso não é saudável. Você está proibindo seu filho de explorar novos ambientes e, consequentemente, afetando o desenvolvimento motor da e cognitivo da criança. Isso se chama superproteção excessiva.

DICA IMPORTANTE: A superproteção começa quando os pais não permitem que seus filhos explorem situações por conta própria. Ou seja, tudo que a criança for fazer os pais sempre sentirão necessidade de acompanha-la. No entanto, é importante que você saiba que, em algumas situações, a criança precisa ter a chance de lidar com determinado “obstáculo” sem a presença dos pais por perto. Em determinado momento, essa superproteção pode se tornar até uma situação de ridículo para a criança diante os amiguinhos.

Como identificar um pai ou mãe com superproteção excessiva

Alguns pontos, comportamentos e atitudes identificam se um pai ou mãe está passando dos limites. Veja:

– Medo excessivo que seu filho se machuque brincando: Nesse caso, os pais tendem a proibir os filhos de brincarem com qualquer coisa ou lugar que possa ser “perigoso” aos olhos deles. É importante que você saiba que crianças se machucam, arranham o joelho, cortam o dedo e isso é totalmente NORMAL. Seu filho precisa correr, pular, subir nas coisas. Faz parte do desenvolvimento natural de uma criança e você não pode tirar isso dele.

– Pressentimento constante de que algo ruim vai acontecer: Você precisa estar 24h do lado do seu filho porque na sua cabeça algo ruim pode acontecer a qualquer momento.

– Trata seu filho como se ele fosse um bebezinho: Mesmo que a criança já esteja maiorzinha, para você ele sempre será um bebê. Pode soar normal, mas isso é uma atitude de um pai ou de uma mãe superprotetor. Em casos mais extremos, você costumar dialogar com a criança fazendo voz infantil.

– Na fase escolar, você não permite que seu filho vá a nenhum passeio com a escola, já que você não estará por perto caso alguma coisa aconteça.

DICA IMPORTANTE: Qualquer que seja sua obsessão, te garanto que ela não é saudável. Por mais difícil que pode ser para você (principalmente em caso de pais de primeira viagem), seu filho precisa ter seus momentos sozinhos e isso começa desde criança. Se você não permite que isso aconteça, você está atrapalhando o desenvolvimento do seu filho e isso pode afetar sua vida adulta.

Quais os malefícios da superproteção para a criança

Crianças que são criadas e educadas com a superproteção dos pais tendem a crescerem inseguras, inquietas ou quietas demais, com medo de enfrentar situações inesperadas, com dificuldade para se relacionarem com outras pessoas, sem autonomia, sem iniciativa e em alguns casos, tornam-se pessoas agressivas, sem respeitar as regras ou outras pessoas. Tudo isso pode ser evitado com uma proteção equilibrada.

Além disso, alguns comportamentos podem identificar quando uma criança está com excessos relacionados à superproteção: Comportamento arredio, uso excessivo e sem controle pelos pais de computadores e videogames, pouca vontade para sair de casa, pouco ou nenhum interesse em brincar com os colegas e dificuldade para expressar seus sentimentos. Se seu filho está apresentando algum desses sinais, é hora de repensar suas atitudes.

Dicas finais para os pais

– Os pais devem preparar seus filhos para o mundo, isso inclui muito diálogo, sinceridade e compreensão. Não adiantar colocar seu filho debaixo da sua “asa”, pois um dia ele precisará voar sozinho.

– Permita que seu filho faça programas sem sua presença, como passeios escolares, por exemplo. Ou então coloque-o em atividades paralelas, como esportes. Isso ajuda no desenvolvimento social da criança.

– Em vez de superproteger seu filho, dê ferramentas para que ele desenvolva suas próprias defesas e sempre faça boas escolhas. Confie, pois confiança é fundamental!

– Não faça todas as vontades de seu filho por achar que não passa tempo suficiente com ele. Impor limites é essencial.

– Não interfira nas brigas ou desavença do seu filho com outras crianças, principalmente coleguinhas. Estimule-o a resolver os problemas sozinho, sem intermédio de adultos e de forma civilizada.

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Sobre Antônio Carlos

Antônio Carlos Nantes de Oliveira é especialista em comportamento infantil.

Autor do livro “Manual da Mudança Comportamental Passiva” e fundador do site Eduque Seu Filho. Já ajudou centenas de pais e mães a superarem os desafios de se educar e criar seus filhos, em mais de 38 anos de atuação na área comportamental.

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